Chevette – Henrique Scotton

Chevette mantendo o motor original ganha desempenho de esportivo com a instalação do turbo e um moderno sistema de injeção eletrônica.

Idealizado pela General Motors sob o codinome 909, o Chevette nasceu com o intuito de ser o carro de passeio de pequeno-médio porte dos Brasileiros e fazer frente ao sucesso da VW, o Fusca. Logo em seu lançamento em 1973 o carro atraiu muito mais do que consumidores comuns, entusiastas em desempenho estavam atentos às características do compacto, que na época vinha equipado de fábrica com propostas “inovadoras”, como sistema de freios de duplo circuito, carroceria com deformação calculada, pneus sem câmara e o motor OHC de 1.4 litros que rendia 68 cavalos. O sucesso foi tão grande que no ano de lançamento o Chevette recebeu o premio de “Carro do ano”.

Quase que imediatamente os Chevettes foram alvos de modificações feitas por entusiastas, que desejavam dar mais desempenho ao fantástico sedan equipado com motor dianteiro longitudinal, transmissão manual e tração traseira. Em pouco tempo os brasileiros começaram a alterar os motores originais e fazer adaptações das mais diversas em termos de substituição de motores devido ao cofre generoso onde praticamente “cabe de tudo”. Motores de 4, 6 e 8 cilindros, e os mais diversos sistemas de transmissões podem ser facilmente adaptados com sucesso, trazendo ao compacto sedan alma renovada e performance digna de esportivos. Mesmo que possuindo um excelente “corpo receptor de órgãos”, os mais “puristas” preferem alterar o motor que originalmente equipa o Chevette, conseguindo resultados impressionantes em preparações sobrealimentadas e aspiradas.

Um desses entusiastas que preferem manter o coração original em seu carro é Henrique Scotton, de Cascavel no Paraná, que fez alterações suficientes para fazer o seu Chevette SL 1978 ter desempenho de esportivo moderno.

Henrique adquiriu o Chevette em 2008 e carro já possuía kit turbo, mas com carburador e o sistema instalado de forma precária. Com o negocio fechado, fez questão de buscar o carro pessoalmente em uma cidade vizinha. Logo na viagem de volta a cidade de Cascavel, em uma aceleração mais profunda a junta de cabeçote resolver não ficar mais entre o bloco e o cabeçote, o deixando na mão em plena viagem de estreia. Mesmo após a substituição da junta e alguns meses de passeios com o carro, o sistema carburado incomodava demais, sempre algo acontecia para o desespero do Henrique. Impulsionado por um amigo que também é um fanático por Chevettes, o preparador Mariano Soares, que também já teve seu Chevette publicado em nossas páginas na edição 17, Henrique decidiu partir para o sistema de injeção e ignição eletrônica. “Após dar uma volta com o Chevette do Mariano fiquei impressionado e convencido de que o sistema de injeção seria a melhor opção, pois o seu carro ficou perfeito como um original de fábrica e acelera como um animal” – Nos conta Henrique. Mariano foi o responsável por montar o motor e fazer as adaptações necessárias para o turbo e o novo coletor de admissão. Outro amigo também foi convidado, Evandro Leite – “tuner” oficial da InjePro – para fazer a instalação do sistema de injeção e ignição InjePro e a afinação do motor.

O motor e sistema de transmissão são basicamente originais, não tem componentes forjados, adaptações malucas ou peças exóticas para a montagem. Na transmissão somente um platô com 900lbs e disco de embreagem com pastilhas sinterizadas dão conta do recado com o cambio e diferencial originais. No motor o sistema de turbo é composto por um coletor de escapamento feito em ferro fundido, wastegate e o turbo Master Power 42/48, perfeito para o motor 1.4 litro. “A única peça mais complexa, foi a flange para a adaptação do coletor de admissão original do Astra, que exigiu algumas semanas para ser produzida, de resto tudo é fácil” – Revela Mariano. Antes da montagem do turbo e o sistema de injeção Henrique fez a retífica completa do motor para dar mais segurança ao novo projeto, deixando tudo dentro dos padrões originais de fábrica. O turbo trabalha com pressão máxima de 1,3 Bar, suficientes para fazer com que o motor original supere a barreira dos 200 cavalos. Nada mal para um carro com aparência inofensiva e calotas nas rodas. A combinação de sucesso entre o baixo peso da carroceria, a tração traseira e o turbo são mortais. Um legítimo “Sleeper” capaz desfilar silenciosamente durante os finais de semana e assombrar os sonhos de incautos que arriscam a sorte.

Texto e imagens: Evandro Lima – Revista Tech Speed