Celta DO – Equipe Sauva – Samuel Santos “Samuka”

Falar em dedicação e muito trabalho quando já se tem uma equipe, piloto e carro multi-campeões chega a ser redundante. Em competições automobilísticas atingir o nível o qual a equipe Sauva conseguiu ao longo da carreira do Gol 156 é sem dúvida alguma um feito memorável na história da Arrancada Brasileira. Porém agora começam tudo do zero em um novo projeto inovador e que já nas primeiras provas vem mostrando resultado mais do que positivo.

Muito mais que um vitorioso, o piloto Samuel Santos – o Samuka, como é mais conhecido – é um ícone na Arrancada brasileira. Fã incondicional dos motores 4 cilindros naturalmente aspirados conquistou todos os títulos de Campeão Paulista de 2005 e de 2006 a no ECPA de 2007 a 2010 com o Gol D.O. 156 mais temido e respeitado do país.

“Não foi uma tarefa fácil deixar o VW e mudar de marca apostando tudo em um novo projeto. Tudo teve que ser desenvolvido do zero, motor, carroceria, transmissão, tudo foi pesquisado antes de partir para o Chevrolet” – conta Samuka.

A inovação não esta presente só na escolha do carro e motor. Alguns componentes utilizados pela equipe mostram que estão atentos a tudo no mercado nacional e mundial. No painel, por exemplo, foram eliminados quase todos os instrumentos redondos e separados, e optaram por usar um painel tipo display fabricado pela AIM modelo MXL. Este display é feito em plástico com tela de cristal liquido. Pequeno e leve, todas as informações necessárias como pressão de óleo, rpm, pressão de combustível, temperaturas estão disponíveis em uma única peça e em um único lugar. O equipamento ainda é capaz de ter comunicação GPS, onde várias informações sobre a puxada podem ser obtidas instantaneamente, calculando tempo e espaço de forma precisa. Com isso, o peso, a quantidade de fios e a ergonomia são favorecidos, consequentemente o desempenho, coisa de Pro!

O Celta prateado possui motor 2.4 litros com cabeçote do motor C20XE – Coscast, utilizados nos Chevrolet Vectras e Calibras GSI 1988 a 1991. Este cabeçote foi desenvolvido para a GM pela Cosworth. Para quem não conhece a Inglesa Cosworth é um dos maiores e melhores em fabricação e desenvolvimento de componentes para competição. Possui em seu gigantesco currículo uma infinidade de títulos mundiais, inclusive na fórmula 1.

O cabeçote Coscast deste Celta possui entre as suas características baixa porosidade, paredes mais espessas e fluxo melhorado originalmente se comparado aos outros modelos, principalmente quando comparado ao seu substituto feito pela KS. O Coscast é um dos preferidos mundialmente para quem deseja aumentar a potência ou mesmo modificar como foi o caso desta matéria. Sauva preparou o cabeçote elevando o fluxo para soberbos 167 cfm @ 10” utilizando válvulas Ferrea com 34 mm na admissão e 30 mm no escapamento. Tempo, paciência e muito conhecimento técnico foram primordiais no desenvolvimento. Na admissão, a escolha foi por 4 borboletas de 45 mm em corpos e cornetas desenvolvidas pelo preparador, que se encarregam em “deixar passar” o oxigênio ao motor.

O combustível é a mistura de metanol com nitrometano permitida pelo regulamento da categoria. Como a mistura destes combustíveis exigem muita vazão para se manter a estequiometria perfeita e a relação é enorme no combustível, a equipe utilizou injetores (bicos) da alemã Bosch com 225 lbs/h e regulador de pressão da brasileira P.A.P. O escapamento confeccionado em aço inoxidável foi fabricado pela empresa Conforma Inox, um tradicional fabricante Argentino que equipa a maioria das categorias de circuito de lá. O motor possui internamente pistões forjados IASA do tipo Dome com apenas dois anéis para reduzir o atrito. Biela e virabrequim são feitos em aço forjado pela brasileira Susin Francescutti. No dinamômetro rendeu 301 cv nas rodas a 8300 rpm. E a usina gira 9500! Todo gerenciamento eletrônico do motor é feito com equipamentos InjePro, do ECU que controla injetores e ignição à central que permite o uso de roda fônica.
A transmissão feita pela catarinense Recuperg possui engate rápido e foi devidamente escalonada para percorrer os 201 metros. Tudo montado na carcaça F18 Chevrolet Vectra.

Uma das dificuldades relatadas pelo Samuka em nossa entrevista foi a sua adaptação com o carro equipado com um motor mais girador. “Como passei muito tempo andando com o Gol onde trocava as marchas a 7300 rotações, foi difícil perder o costume. Demorei um pouco para me ajustar a trocar as marchas nas 9500 rpm, a toda hora trocava a 7300, conta o piloto”.

Para segurar o carro ao chão, além de toda eletrônica embargada, a suspensão tem seu papel. Barras de tração, buchas em alumínio e rolamentos nas bandejas, carga de molas, amortecedores ajustáveis em compressão e expansão fazem parte do pacote da suspensão. Tudo desenvolvido pelo preparador.
Os testes já começaram com o pé direito. Samuka já enfiou um 7s5 em Taubaté saindo de 1s8 nos 60 pés passando a 153 km/h nos 201 metros. Podem esperar que nessa cartola tem mais, muito mais.

Texto e fotos – Vinícius Fonseca
Matéria da edição 2 da revista Tech Speed